Respostas

2013-04-13T16:51:20-03:00

Introdução

Nenhum país recentemente passou por uma transformação tão profunda e radical como a Rússia de hoje. Abandonou um regime político-econômico que perdurou por mais de 70 anos, o do Socialismo, e lançou-se em reformas que visavam alterar sua própria essência. Foi uma imensa operação de reversão econômica de um modelo estatizante, baseado na propriedade coletiva dos meios de produção e no planejamento econômico centralizado, para um sistema oposto, o do Capitalismo laissez-faire. Adotaram como modelo, o estado liberal ocidental, onde o intervencionismo reduz-se a um mínimo e as propriedades estatais foram entregues ao controle e administração privados.

As reformas na Rússia ganharam amplo apoio, político e financeiro, dos principais países capitalistas ocidentais em função delas visarem a absorção dela ao sistema capitalista mundial(*). Foram estendidos à Rússia e ao governo de Boris Yeltsin generosos empréstimos que permitiram que ele sobrevivesse politicamente às naturais turbulências do processo. Tudo indica que com a crise asiática e a generalização dos seus efeitos, a Rússia marcha para uma depressão econômica. Tendo uma das maiores reservas do mundo de petróleo, gás, minerais e demais produtos estratégicos (com os quais paga suas dívidas e paga suas importações), qualquer abalo que ela sofra faz com que as economias dos países ricos também se afetem e sintam-se ameaçadas.

(*) Por sugestão da França fundou-se, em 1989, o Banco Europeu para a Reconstrução e o Desenvolvimento, para amparar as transformações que estavam ocorrendo no Leste europeu.

Rússia: do fim do Comunismo a crise atual

 

A Era das Reformas: a glasnost e a perestroika

As grandes modificações porque a Rússia passou recentemente tiveram seu inicio durante o 27º Congresso do Partido Comunista da URSS, realizado em 1986. No seu informe, o então secretário-geral do partido Mikhail Gorbachev anunciou a necessidade de uma profunda modificação nas estruturas do pais. Segundo ele a URSS dirigia-se para a atrofia tecnologica, para uma petrificação que a deixaria vulnerável na sua competição com os E.U.A.

Apesar de seus sucesso em armas atômicas e na conquista espacial ela, visivelmente, perdia a corrida da informática, da computação e da robotização. Os altos custos da industria bélica ( a URSS, muito mais pobre do que os EUA era obrigada a gastar as mesmas somas em gastos militares) faziam com que a população fosse sacrificada no seu bem estar. Além disso escasseavam recursos para modernizar e fazer avançar outros setores chaves do desenvolvimento.

Agravaram-se, aos problemas de ordem técnica, os de origem ideológica. A mística oficial do regime comunista não exercia mais qualquer entusiasmo na população. Nem dentro nem fora da URSS. O cinismo virou uma segunda natureza dos cidadãos. A rebelião do Sindicato Solidariedade na Polônia nos anos 70-80 mostrou que até a base histórica do movimento - os trabalhadores fabris - abandonavam em massa o comunismo e que ele só se mantinha pelo uso da força (como ocorreu na decretação da ditadura pelo gen. Jaruzelvski em dezembro de 1981).

Prevendo futuras fraturas nos países integrantes do Bloco Soviético ( URSS, Polônia, Romênia, Bulgária, Hungria, Checoslováquia e Alemanha Oriental) Gorbachev propôs o que se chamou de “Doutrina Sinatra”. Dali em diante cada pais acharia seu próprio caminho (My Way) para permanecer ou não socialista, escolhendo ficar ou não dentro do Bloco Soviético.

O resultado não se fez esperar. Na noite de 9 de novembro de 1989, depois de crescentes manifestações que obrigaram o regime da RDA (Alemanha Oriental) a capitular, milhares de alemães começaram a demolir o Muro de Berlim que separava a ex-capital da Alemanha desde 1961. Enquanto isto sucediam-se as transições, ora pacíficas (como na Checoslováquia e Hungria) ora violentas (como na Romênia e na Iugoslávia*) dos regimes comunistas para os democráticos. O desmoronamento da parte ocidental do Bloco Soviético, os então chamados países-satélites, pôs fim ao Pacto de Varsóvia e ao seu sistema defensivo, corroendo, dois anos depois, a própria estrutura interna da URSS.

(*) A Iugoslávia, apesar de república socialista, não fazia parte do Bloco do Leste, tendo uma politica autônoma, independente da OTAN e do Pacto de Varsóvia. Não conseguiu porém evitar que a desaparição do partido comunista provocasse a explosão separatista que a tem infelicitado desde 1990.