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2013-05-09T19:49:54-03:00

 

 

Efeitos Patológicos do Álcool:

 

Alguns detalhes sobre o álcool:

 

• É uma substância de abuso, logo vicia, e dependendo do sistema do individuo pode ocorrer com certa facilidade e em outros o controle é maior, com mais dificuldade;

• A composição química do álcool é simples:

 

~~~~~~H~~~H\\ ~~~~~~~~|~~~~~|\\ H-C-C-OH\\ ~~~~~~~~|~~~~~|\\ ~~~~~~~H~~~H

 

• É uma “droga legal”, uma “substância Lícita”, o seu consumo é legal e a venda autorizada.

• Seu consumo tem menores consequências quando comparada a outras substâncias, mas seu uso abusivo causa transtornos psicológicos, biológicos e sociais.

 

Como o álcool prejudica o fígado?

 

O fígado é um órgão biotransformador que realiza diversas funções indispensáveis á vida. Armazena e realocam nutrientes, modificam elementos tóxicos, forma diversas proteínas essenciais do sangue, entre outras coisas. Ele pode ser prejudicado do seguinte modo; como já foi mencionado, a metabolização do álcool é feita numa média de 10 gramas por hora, o que faz com que a degradação do álcool de 4 latas de cerveja, por exemplo, dure cerca de 5 horas. Neste ínterim o fígado diminui a realização de diversas ações fisiológicas para priorizar esta degradação. Acumula-se então muita gordura nas células hepáticas, que deveriam ser processadas e realocadas. Este acúmulo de gordura é chamado de esteatose hepática, que pode ser reversível com a abstinência. No entanto, o uso crônico do etanol mantém o nível de esteatose muito elevado, fazendo com que as células do fígado se rearranjem para dar espaço à gordura, mudando inclusive o citoesqueleto da célula, que são proteínas responsáveis pelo formato e sustentação celular. O fígado fica então mais volumoso, podendo muitas vezes ser palpada, situação não evidenciada num fígado normal.

 

Mas a influência direta do álcool é ainda mais nociva, levando há uma inflamação celular crônica, pois o etanol modifica diversas estruturas celulares, inclusive o citoesqueleto, já acima citado. Este processo é conhecido como hepatite, e neste estágio o indivíduo pode ter dores ou apenas um desconforto abdominal, náuseas, vômitos e falta de apetite. Contudo, muitas células não resistem e acabam morrendo. Para substituir este tecido, células do tecido conjuntivo acabam se formando. São células que possuem uma grande quantidade de colágeno e que darão um aspecto cicatricial ao tecido. Elas não possuem as funções das antigas células e tornarão o tecido hepático mais rígido. Esta nova etapa é chamada de Cirrose Hepática. Por estar o fígado neste momento com sua função extremamente deprimida, o indivíduo cirrótico pode evoluir para a morte.

 

O que ocorre com o coração?

 

 Apesar de o fígado ser geralmente o órgão mais lesado, é de problemas cardíacos que a maior parte dos alcoólatras morre. O álcool quando ingerido com moderação pode ser benéfico, pois evita a formação de placas de gordura nas artérias coronárias que irrigam o músculo cardíaco. Todavia, o oposto ocorre quando há uso nocivo do etanol, que pode lesionar diretamente as células cardíacas, agindo principalmente em suas membranas. O coração torna-se insuficiente e aumenta de tamanho. Além disso, a pressão arterial aumenta, exacerbando ainda mais o trabalho cardíaco. É bom lembrar, que a pressão arterial só diminui na ingestão aguda de álcool e não em longo prazo. O músculo cardíaco então a qualquer momento pode sofrer uma arritmia, onde as contrações não são mais efetivas para manter uma circulação mínima, levando o individuo a óbito.

 

E no sistema nervoso?

 

Como o etanol age em muitos receptores de células neuronais, causando os muitos efeitos conhecidos, como a euforia e posteriormente a depressão, estes neurônios tendem a adaptar-se a influência crônica do álcool. Um exemplo é o GABA, um receptor que está envolvido na diminuição da excitabilidade nervosa e, por conseguinte, diminuindo as repostas e reflexos das mais variadas partes do corpo. Sabe-se que este receptor é um dos maiores alvos do álcool e que nos indivíduos alcoólatras, o GABA pode estar diminuído ou alterado, necessitando que tais indivíduos ingiram uma quantidade maior de álcool para produzir os mesmos efeitos que ocorrem num individuo abstêmio. Este processo é chamado de tolerância ao álcool e explica porque muitos indivíduos podem beber volumosas quantias de álcool e ainda parecerem sóbrios.

 

Até pouco tempo atrás, desconhecia a pequena, mais presente capacidade do tecido nervoso de regenerar-se. Estudos mostram que o álcool pode inibir tal processo, mas que pode ser revertida com abstenção da bebida. Outros malefícios do álcool concernem à cognição que pode estar bastante debilitada nos alcoólatras. Tais indivíduos podem sofrer com problemas de memória ou em casos mais graves até demência. Os nervos que estão espalhados pelo corpo também sofrem e a pessoa pode sentir dormência e formigamento.