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2014-04-12T20:26:22-03:00
 teoria marxista conduz à desmitificação do fetichismo da mercadoria e do capital. Desvenda-se o caráter alienado de um mundo que as coisas como pessoas e as pessoas são dominadas pelas coisas que elas próprias criam. 
Durante o processo de produção a mercadoria ainda é matéria que o produtor domina e transforma em objeto útil. Uma vez posta à venda no processo de circulação, a situação se inverte: o objeto domina o produtor. O criador perde o controle sobre sua criação e o destino dele passa a depender do movimento das coisas, que assumem poderes enigmáticos. Enquanto as coisas são anemizadas e personificadas, o produtor se coisifica. Os homens vivem, então num mundo de mercadorias, um mundo de fetiches. Mas o fetichismo da mercadoria se prolonga e implica no fetichismo do capital. 
A crítica ao fetichismo do capital vincula-se intimamente à decifração do segredo da acumulação originaria do próprio capital. Como teria vindo ao mundo tão estranha entidade que conquistou a soberania sobre os homens e as coisas? 
O modo de produção capitalista se afirma à medida que dispensa os processos da acumulação originária e difunde processos específicos de exploração e valorização, que conduzem à produção da mais-valia. 
Para Marx o trabalho não é senão o uso da força de trabalho, cujo conteúdo consiste nas aptidões físicas e intelectuais do operário. Sendo assim, o salário não paga o valor do trabalho, mas da força de trabalho, cujo uso, no processo produtivo, cria um valor contido no salário. Dessa maneira, que a quantidade de trabalho “comandado” pela mercadoria acima do trabalho que custara, segundo a concepção de Smith, era precisamente a mais-valia. O lucro deixava de ser uma “dedução” do produto do trabalho e se identificava como sobreproduto, por isso mesmo apropriado pelo comprador da força de trabalho na sua condição capitalista. 
Ao contrario dos economistas que continuavam a identificar o sobreproduto com uma das suas aparências fenomenais a renda da terra, no caso dos fisiocratas, ou o lucro, no caso de Smith e Ricardo, Marx abstraiu a mais-valia de suas manifestações particulares e, dessa maneira, cortou os vários górdios que obstaculizavam o desenvolvimento consequente da teoria do valor.