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2014-05-07T19:25:08-03:00

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Prezado,

Resumindo: eles já não obtinham tantos lucros com o comércio com as Índias, haviam dominado o cultivo da cana-de-açúcar (uma especiaria indiana) - com altíssima lucratividade - dispondo, assim, de um produto que possibilitaria aos enormes investimentos na colonização o retorno financeiro, bem como outros países ameaçavam tomar as terras portuguesas da América, como a França.

Inicialmente, os navegantes e os empreendedores portugueses desejavam aproveitar o contexto econômico da alta rentabilidade das especiarias (produtos das Índias orientais, como o açúcar, o cravo, a pimenta, dentre outras), pois a margem de lucro era altíssima, chegando a 6.000%, como o obtida pelo navegante Vasco da Gama.

Nesse sentido, a colonização ou invasão por Portugal das terras que hoje formam o Brasil requeria um alto investimento e não trariam um retorno financeiro rápido nem seguro, tal como o proporcionados pelas especiarias.

Além disso, o pau-brasil, entre outros produtos comerciais interessantes dessas terras, não requeria a presença continuada no território, haja vista que sua obtenção era mais fácil através do escambo com os índios (eles cortavam em troca de bugigangas).

Para completar a situação, as tribos indígenas brasileiras viviam na idade da pedra, sem grandes civilizações que permitissem acúmulo de riquezas ou uma estrutura social ampla e já organizada, como as roubadas e dominadas pelos espanhóis, como as dos incas e astecas.

Desse modo, apenas quando o comércio com as especiarias deixou de ser tão rentável e Portugal já havia desenvolvido a tecnologia para o cultivo da cana-de-açúcar (uma espécie oriunda das Índias) nas ilhas de Madeira e Açores; bem como outras nações europeias (especialmente a França) ameaçavam tomar partes do território que hoje formariam o Brasil, Portugal promoveu o sistema de capitanias hereditárias como um modo de transferir para particulares os enormes gastos com a colonização / invasão da América.
 
Exceto por Pernambuco e São Vicente, esse sistema de capitanias hereditárias sem um governo geral no novo território falhou, pois os índios lutaram bravamente contra as invasões e a escravidão.

Entretanto, devido às gigantescas quantidades de vítimas indígenas das epidemias enquanto os portugueses não eram tão afetados pelas mesmas doenças (em razão de, na Europa, após dezenas ou centenas de gerações, a maior parte das pessoas eram descendentes daqueles que apresentavam algum tipo de resistência a elas) houve uma dominação cultural, pois os indígenas passaram a acreditar que isso se devia ao deus dos europeus ser mais forte que os deles.

Além disso, o grande número de mortos (mais de 90% da população nativa) resultou em uma desestruturação de muitas sociedades indígenas e a conversão em massa em busca de salvação contra as epidemias e, em parte, por isso, até hoje, a maioria da população que habita a América é cristã.

Os portugueses tiveram grande dificuldade em obrigar os índios ao trabalho pesado na lavoura por muito tempo, pois a agricultura era um trabalho feminino na sociedade deles, preferindo a morte, criando-se o mito de que os indígenas seriam "preguiçosos".

Para superar essas dificuldades, os portugueses conseguiram se aliar a algumas tribos, conseguindo acesso aos segredos e recursos humanos suficientes para vencer tribos inimigas. Isso resultou, por exemplo, em utilizamos o termo "tupiniquim" para nos referirmos a nós mesmos, haja vista que a tribo dos tupiniquins foi uma que se aliou aos portugueses. Essas tribos parceiras os auxiliaram, especialmente através dos descendentes entre ambos, os mamelucos, a conhecerem os segredos e as  técnicas de sobrevivência no Novo Mundo.

Contribuindo para o êxito do projeto colonizador, os jesuítas eram bem organizados, estudiosos, e práticos, trocando experiências sobre as práticas de catequização no mundo inteiro, analisando quais tinham êxito ou não, bem como apropriando-se das culturas locais para melhor converterem.

Eles não desejavam a escravidão dos indígenas, mas os convertiam à religião católica, bem como à vida sedentária com o cultivo de plantas e animais trazidos de outras partes do mundo. Assim, esses religiosos adquiriram poder na sociedade, tanto que foram expulsos do Brasil em 1759.

Vale ressaltar que a maior parte da sociedade da época, mesmo nas cidades, era composta por índios, escravos e uma pequena quantidade de brancos, em geral, homens portugueses. Nesse sentido, com a quase absoluta ausência de mulheres europeias, a miscigenação foi um fator importante para a formação da sociedade da época, influenciando ainda hoje a composição étnica do povo brasileiro.

Para complementar essa resposta, sugiro que veja os vídeos " A História do Mundo em Duas Horas " , " HISTÓRIA DO BRASIL: A COLONIZAÇÃO DO BRASIL " e " Brasil: Uma História Inconveniente ", facilmente encontrados no you..tube.

Bons estudos!
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