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2013-06-17T18:59:07-03:00

Durante anos os acadêmicos tem assumido que a agricultura não representa qualquer problema em relação à ética ambientalista, apesar do fato de que a vida e a civilização humana dependem da artificialização da natureza para realizar a produção agrícola. Inclusive os críticos dos
impactos ambientais dos pesticidas e das implicações sociais da tecnologia agrícola tem falhado na
conceituação de uma ética ambiental coerente e aplicável aos problemas relacionados com a agricultura (Thompson 1995). Em geral, a maioria dos proponentes da agricultura sustentável, movidos por um determinismo tecnológico não compreendem a ligação da degradação ambiental com a
agricultura capitalista. Desta forma, aceitando as atuais estruturas sócio-econômicas e políticas da
agricultura, eles não implementam uma agricultura alternativa que desafie tais estruturas (Levins
and Lewontin 1985). Isso é preocupante, especialmente agora, quando as motivações econômicas
e não a preocupação ambiental, determinam a forma da pesquisa e da produção agrícola prevalecentes no mundo (Busch et al. 1990).
Assim, consideramos que o problema chave que enfrentam os agroecologistas é que a agricultura industrial
moderna, hoje representada pela biotecnologia, baseada em premissas filosóficas fundamentalmente imperfeitas e que
são precisamente essas premissas que devem ser expostas e criticadas para atingir uma agricultura verdadeiramente
sustentável. Isso é particularmente relevante no caso da biotecnologia, onde a aliança da ciência reducionista e a indústria monopolista multinacional, que consideram os problemas agrícolas como deficiências genéticas dos organismos e tratam a natureza como um bem, poderá dar à agricultura um rumo completamente errado ( Levidow and Carr
1997).
O Objetivo deste trabalho é desafiar as falsas promessas feitas pela indústria da engenharia genética de que
eliminará os produtos químicos da agricultura e incrementará a produtividade, assim como diminuirá os custos de
produção e contribuirá para reduzir os problemas ambientais (OTA 1992). Desafiando os mitos da biotecnologia,
estamos mostrando o que realmente é a engenharia genética; mais um “arranjo tecnológico” ou uma “solução mágica”
que resolverá definitivamente os problemas ambientais da agricultura (os quais são apenas o resultado dos “arranjos
tecnológicos”), sem questionar as suposições erradas que originaram o problema em primeiro lugar (Hindmarsch
1991). A Biotecnologia desenvolve apenas soluções genéticas para problemas derivados de sistemas agrícolas baseados em monoculturas e ecologicamente insustentáveis, concebidos conforme os modelos de eficiência industrial. Tal
visão unilateral já demonstrou-se ser ecologicamente inadequada no caso dos pesticidas.