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2014-05-08T23:41:15-03:00
Sob o slogan nacionalista “Integrar para não entregar”, o regime militar brasileiro iniciou na década de 1970 uma corrida para acelerar o crescimento econômico do Brasil e colonizar as terras amazônicas. A partir de então o governo incentivou a ocupação da região por colônias de agricultores do sul e nordeste do País, abrindo estradas, construindo barragens, incentivando a agricultura e a pecuária, desalojando as populações indígenas e comunidades tradicionais, ignorando o ritmo da floresta.

Ao longo dos anos, os grandes projetos de infra-estrutura na Amazônia, principalmente as rodovias e as hidrelétricas, têm sido motivo de grandes polêmicas. Além dos impactos negativos sobre comunidades tradicionais e indígenas (conflitos de terra, deslocamentos forçados, expulsões etc.), têm havido problemas crônicos com a legislação ambiental e uso dos recursos públicos.

Exemplos infelizes como a construção das usinas hidrelétricas de Tucuruí (PA) e Balbina (AM), as últimas construídas na Amazônia, nas décadas de 1970 e 1980, estão de prova. Desalojaram comunidades, inundaram enormes extensões de terra e destruíram a fauna e flora daquelas regiões. 

Em fevereiro de 2003, o Brasil tinha 1220 empreendimentos, com uma potência instalada de 82,4 mil MW. Grande parte desse total é fornecido por usinas hidrelétricas (64,2 mil MW), segundo dados publicados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Com a crise no abastecimento de energia elétrica, em 2001, empreendimentos voltados à expansão da potência instalada do país passaram a ser novamente priorizados. Prova disso é a Medida Provisória (MP) 2.198-5, conhecida como a MP do Apagão, de junho de 2001, que estabeleceu prazos curtíssimos para o licenciamento ambiental simplificado de empreendimentos do setor elétrico de baixo impacto ambiental, sem que esta definição tenha ficado clara para os ambientalistas.

É neste contexto que a construção das hidrelétricas nos rios amazônicos voltou à cena, uma vez que 63% do potencial hidrelétrico do Brasil, estimado em 260 mil MW, está concentrado na Amazônia e boa parte deste percentual no Pará.

Com os projetos de integração entre os países da América Latina e do Plano de Aceleração do Crescimento, lançado pelo Governo Federal brasileiro, as obras em rodovias amazônicas, lançadas na década de 1970 e abandonadas por anos voltaram a ser pauta.  De acordo com o estudo “Cenários para a Amazônia”, do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia  (Ipam), divulgado em 2006,  os principais vetores de desmatamento e degradação socioambiental na Amazônia são as grandes rodovias que cortam a região e seus processos de pavimentação, que valorizam as terras e atraem empreendedores, legais e ilegais.
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