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2014-05-18T16:39:59-03:00

As teorias turbulentas 

A primeira teoria (quase)-científica sobre a formação do Sistema Solar foi elaborada por René Descartes em meados do século XVII, e publicadas no seu livro "Discours de la Mèthode". 
Este grande filósofo francês postulou que deve ter existido em algum momento um sistema de vórtices imersos em um meio totalmente preenchido por um misterioso "éter". Estes vórtices teriam dado origem ao Sol e aos planetas que giram em torno dele. 

Mais recentemente as idéias de Descartes foram reelaboradas tendo sido postulada que em torno do Sol deveria existir uma atmosfera turbulenta, e em rotação. Esta turbulência teria dado origem aos planetas. No entanto, até hoje não ficou muito claro porque deveria existir esta turbulência! 

As teorias catastróficas 

O segundo tipo de teoria, a catastrófica, foi inicialmente formulada por George Louis Leclerc, conde de Buffon (imagem a direita), em 1765. Ele propôs que a colisão de um cometa com o Sol teria arrancado parte da matéria dessa estrela. Mais tarde essa matéria teria se recondensado formando os planetas que conhecemos. 

Essa teoria é bem característica dos conhecimentos astronômicos da sua época. Antigamente achava-se que os cometas eram corpos com muita massa. Entretanto, as observações nos mostraram que eles são os menores objetos do Sistema Solar, ou seja, uma colisão de um cometa com o Sol teria apenas feito "cócegas" na nossa estrela! 

Hoje sabemos que a queda de cometas no Sol é um fenômeno comum e, ao contrário do que essa teoria dizia, certamente novos sistemas planetários não estão sendo formados à nossa volta. O filme abaixo, feito pela sonda espacial SOHO, em órbita em torno dos polos do Sol, nos mostra o momento em que dois cometas mergulharam na sua direção sendo incorporados ao seu "patrimônio" de matéria. O SOHO é um projeto conjunto da National Aeronautics and Space Administration (NASA) e da European Space Agency (ESA). 

Esta teoria foi revista por James Hopwood Jeans (imagem a esquerda) e Harold Jeffreys (imagem a direita) em 1916, os quais propuseram que a colisão não teria sido com um cometa, mas sim com uma outra estrela. 

Na realidade, segundo esta teoria nem precisaria ter ocorrido propriamente uma colisão física entre o Sol e outra estrela. Uma grande aproximação entre esses astros já seria suficiente para "arrancar" uma grande quantidade de matéria do Sol. 

Esta teoria sofre, entretanto, de um problema muito sério: uma aproximação desta forma deve inicialmente produzir um gás muito quente. Por causa da sua alta temperatura esse gás se expandiria muito rapidamente, o que não permitiria que fossem criadas condensações, ou seja, corpos celestes! 

As teorias nebulares 

Finalmente, o terceiro tipo de teoria, a chamada teoria nebular, foi proposta independentemente pelo filósofo alemão Emmanuel Kant (a esquerda), em 1755, e pelo filósofo francês Pierre Simon, marquês de Laplace (a direita), em 1796. 

Essa teoria, fundamento das teorias mais modernas sobre a formação do Sistema Solar, hoje é conhecida como a hipótese de Kant-Laplace. 

Segundo a teoria nebular de Kante e Laplace inicialmente teria existido, na região onde hoje está o Sistema Solar, uma enorme nuvem difusa formada por gás e poeira. Essa nuvem, que girava lentamente, foi chamada de nebulosa proto-solar. 

Devido à sua auto-gravidade, ou seja, à gravidade que as partículas que formavam a nuvem exerciam umas sobre as outras, a nuvem gasosa teria iniciado um processo gradual de contração. À medida que a nuvem se contraia sua velocidade de rotação foi aumentando gradualmente, como exige uma das leis fundamentais de conservação, a conservação do momento angular. 

Conseqüentemente a força centrífuga teria obrigado a nuvem a ejetar anéis de matéria. Posteriormente, esses anéis foram se condensando o que levou, finalmente, à formação dos planetas. 

Esta teoria foi sendo refinada ao longo dos anos por eminentes pesquisadores como Safronov (1969), Cameron (1969), Hayashi (1970). Ela passou, então, a ser a mais aceita entre todas as teorias, sendo agora conhecida como "modelo padrão". É essa teoria que descreveremos a seguir. 

A história nos mostra que muitas vezes a elaboração de teorias físicas parte da observação dos fenômenos que queremos modelar. Iniciaremos, portanto, nossa discussão fazendo uma revisão dos dados que temos à nossa disposição e que devem ser usados para a elaboraração de um modelo que consiga explicar como foi formado o Sistema Solar.   
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