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2014-05-18T14:06:05-03:00
Em 1909, com um relato minucioso e de agradável leitura, Carlos Chagas anunciou para a comunidade científica a detecção, em humanos, do protozoário Trypanosoma cruzi, agente causador da doença de Chagas, mal que atinge 6 milhões de brasileiros e que ainda não tem cura. A história clínica de Berenice, uma menina de dois anos, abriga o achado mais importante: "Tripanozómidas no sangue periférico, em número não muito grande, sendo vistos de 15 a 20 em gota ()". Ele descreve também resultados dos estudos sobre a morfologia e o ciclo evolutivo do protozoário nos diferentes animais de laboratório infectados: cobaias, cães, coelhos e macacos. Foi o próprio Carlos Chagas quem havia identificado, em 1908, formas flageladas de um protozoário no intestino do barbeiro, inseto encontrado em matas e habitações de áreas rurais de várias regiões do país. Em uma parceria com Oswaldo Cruz, que fez com que barbeiros infectados se alimentassem do sangue de sagüis de laboratórios, Chagas encontrou uma nova espécie de tripanossoma, batizada de Trypanosoma cruzi, em homenagem ao mestre.Pela importância dessa descoberta para a saúde dos brasileiros, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) dará início, em maio, às comemorações do centenário de descoberta da doença de Chagas. Estão previstos diversos eventos e publicações comemorativos, dentre eles a inauguração da Sala Carlos Chagas, que contará com uma exposição permanente composta por fotografias, textos, documentos e objetos sobre a época, a vida e a obra do cientista. Será também publicado o livro Doença de Chagas, além de um álbum fotográfico composto por um conjunto expressivo de documentos iconográficos e textuais sobre a trajetória do pesquisador. Está prevista ainda a realização do simpósio internacional "Centenário da descoberta da doença de Chagas" e do seminário "A descoberta da doença de Chagas e a história da medicina tropical", assim como o lançamento da exposição itinerante "Chagas do Brasil". Soma-se a isso o lançamento do portal "Doença de Chagas", além de uma ópera, com música do maestro Silvio Barbato, direção cênica de Moacyr Góes, libreto de Renato Icaray, cenários de Marcelo Dantas e figurinos de Clara Vasconcelos, que terá como tema central a vida e obra do grande cientista brasileiro.