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2013-07-07T20:31:55-03:00
Nesse contexto, a ascensão de novos players globais – como Brasil, China e Índia – e a crise financeira de 2008, cujos reflexos são sentidos até hoje, ajudaram a moldar o mundo atual, dez anos após os ataques.O que então vinha sendo, segundo as palavras do próprio presidente George H. W. Bush (1989-1993), pai de George W. Bush, “uma nova ordem mundial” baseada no triunfo dos valores americanos e da democracia liberal - depois da queda da URSS em 1991 - foi interrompido pelo dia fatídico que repentinamente mudou o curso da História.“Os quatro aviões usados nos ataques daquele dia transformaram a maneira como políticos e cidadãos veem os EUA e o mundo”, disse ao iG o americano Kirk Buckman, professor de relações internacionais da Universidade de New Hampshire, nos EUA. “Depois disso, as consequências daGuerra no Iraque (iniciada em 2003) e os problemas econômicos que tivemos dentro de casa deixaram ainda mais claro ao mundo o declínio americano.”A opinião é compartilhada pelo especialista jordaniano Mouin Rabbani, colaborador do Projeto de Informação e Pesquisa do Oriente Médio (Merip, na sigla em inglês), para quem o tipo de resposta aos ataques foi responsável pelo “enfraquecimento profundo do papel e poderio dos EUA a uma extensão muito maior do que se tivesse respondido de maneira diferente”.Para o analista americano Robert Schmuhl, professor da Universidade Notre Dame, em Indiana, o 11 de Setembro deixou os EUA com a sensação de ataque iminente e desencadeou um novo tipo de guerra. “Domesticamente, todo político queria transmitir uma postura firme no combate ao terrorismo. No campo externo, a Guerra ao Terror substituiu a Guerra Fria (1947-1991) como a principal preocupação da política externa americana.”Com uma diplomacia unilateral nos oito anos de governo de George W. Bush (2001-2009), caras ofensivas militares em nome da Guerra ao Terror, endividamento crescente e acusações de tortura em Guantánamo, em prisões secretas da CIA (Agência Central de Inteligência) e no Iraque e Afeganistão, os EUA adotaram passos para um desprestígio internacional – irreversível na opinião de alguns. “Não consigo imaginar, por exemplo, um ressurgimento do poderio americano”, afirmou o jordaniano Rabbani.O golpe aos símbolos econômico e militar dos EUA em 11 de Setembro de 2001 não transformou o mundo apenas por expor a vulnerabilidade de uma potência que, apenas dez anos antes, pareceu inabalável quando celebrou a vitória de seu modelo perante o da União Soviética (URSS), em 1991.AFPFumaça sai do World Trade Center depois de ser atingido por dois aviões no 11 de Setembro de 2001Ao pulverizar o World Trade Center e levar parte do Pentágono ao chão, o pior ataque terrorista em solo americano mudou a última década e os anos que virão ao ter como consequência decisões de Washington que debilitaram o país política, econômica e militarmente - criando uma janela de oportunidades para outras nações.Segundo analistas ouvidos pelo iG, após os atentados com quase 3 mil mortos em Nova York, em Washington e na queda de um avião sequestrado na Pensilvânia (veja infográfico com cronologia dos ataques), erros de cálculo levaram ao declínio da capacidade dos EUA de influenciar eventos mundo afora, assim como ao enfraquecimento de sua liderança diplomática e persuasão.