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2014-08-24T08:04:11-03:00
O desenvolvimento integrado do vale do rio São Francisco depende primordialmente dos recursos d’água existentes. Sendo eles limitados, há justificativa para a adoção de uma política visando ao seu aproveitamento racional.A oportunidade para examinar o assunto de forma abrangente é a atual. Os empreendimentos hidrelétricos estão praticamente definidos; os projetos prioritários de irrigação já são conhecidos; e da mesma forma estão estimados os consumos prováveis dos outros grandes usuários de água.A antecipação de estudos e providências é recomendável, para que se contornem futuros impasses, muitas vezes irreversíveis, como hoje estão se revelando os casos dos rios Paraíba do Sul e Tietê, principalmente.O Vale do São Francisco ocupa uma área de 641.000 km², inteiramente localizado no território brasileiro, de cuja superfície é cerca de 7,5%. Tradicionalmente, é dividido em quatro regiões: ALTO, MÉDIO, SUBMÉDIO e BAIXO. A primeira vai das cabeceiras a Pirapora e a segunda de Pirapora a Remanso; o SUBMÉDIO termina em Paulo Afonso e o BAIXO vai até a foz, no oceano.As águas do rio São Francisco despejam no Atlântico aproximadamente 99 bilhões de metros cúbicos anuais, com uma vazão média de 3.150 m³/s. As principais contribuições ocorrem no ALTO e na parte superior do MÉDIO, em Minas Gerais, que são responsáveis por 70% da corrente. Entre Carinhanha e Remanso, onde começa a região do SUBMÉDIO, são coletados mais 15%; de Remanso até Paulo Afonso apenas 5%; e no BAIXO são Francisco os 10% restantes.Os aproveitamentos hidrelétricos são estimados em 17.200 MW e sua quase totalidade está programada para implantação até o final deste século: 2.500 MW estão localizados em Minas Gerais, 1.500 MW na Bahia até Barra, na foz do rio Grande, e mias de 13.000 MW se situam entre Sobradinho e Pão de Açúcar.A irrigação planejada para as terras economicamente aráveis, distribuídas entre vários projetos selecionados, que somam 620 mil hectares, requererá o equivalente a 588 m³/s de água, dos quais retornarão 235 m³/s, e serão consumidos, portanto, 353 m³/s.Os abastecimentos urbano, rural e industrial em todo o vale consumirão outros 35 m³/s ao final deste século. Diversos usos, como a piscicultura, pesca, caça, lazer, etc, são praticamente não consumptivos. Entretanto, a navegação regular depende, nos períodos críticos de chuva, da liberação por Três Marias, de 500 m³/s, também aproveitados para geração de energia na própria usina e no sistema CHESF.Até Sobradinho, no SUBMÉDIO, os múltiplos projetos de energia, irrigação e abastecimento, previstos para instalação até o ano 2000, estarão requisitando 2.650 m³/s da vazão média estimada naquele ponto. A barragem está calculada para liberar 2.060 m³/s aos projetos da CHESF a jusante; a evaporação e o abastecimento consumirão cerca de 340 m³/s. A fim de assegurar o pleno atendimento tornar-se-á necessário dispor de represas adicionais que regularizem os 250 m³/s restantes, destinados aos projetos de irrigação.Como em Juazeiro/Petrolina - cerca de 45 km abaixo de Sobradinho -, se localizarão outros projetos agrícolas, consumindo 65 m³/s, os requerimentos de água naquela região atingem a 97% da vazão média regularizada. Em Petrolândia, a situação se tornará ainda mais crítica, pois os compromissos para 1990/2000 são estimados em 99%.Até os dias de hoje tem sido possível o atendimento aos principais usuários da água. Quando houve alguns problemas decorrentes da queda de vazão, por efeito de prolongada estiagem em 1975/1976, tiveram solução pronta e adequada. Foi assim para assegurar a navegação. E também para garantir o fornecimento de energia ao Nordeste, gerada quase totalmente em Paulo Afonso, cujas usinas puderam contar com água disponível de Três Marias, em operação sob os auspícios da ELETROBRÁS.Outra fonte de conflitos resulta das exigências de qualidade da água, de modo geral boa para todos os fins, mas que vem sendo afetada por atividades poluidoras. Já se constataram lançamentos "in natura" de detritos urbanos, rurais e industriais ou minerais em regiões do ALTO São Francisco. O desmatamento e a erosão estão provocando alterações do regime das águas e o assoreamento dos reservatórios e do leito do rio.Do que foi resumido, configura-se a necessidade de uma compatibilização entre os principais programas de energia e irrigação, de forma a que não haja futuramente conflitos nas quantidades de água requeridas. Essa harmonização deverá levar em conta ainda a evaporação dos lagos, bem como os usos consumptivos das populações urbana e rural, das indústrias e dos rebanhos animais. Desde já precisam também ser consideradas as medidas protetoras para as nascentes e margens do rio principal e de seus afluentes, bem como aquelas recomendadas para evitar a degradação da água.Documento completo, em formato MS-WORD (170Kb)
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2014-08-24T08:05:31-03:00

Ele é aproveitado para a geração de energia elétrica nas usinas de Paulo Afonso,três Marias,sobradinho e moxotó.