O texto, a seguir, faz parte de uma entrevista dada por Marilena Chauí à revista CULT (jun. 2000, p. 54). No trecho em questão, a pensadora aborda a relação do intelectual com o poder.
Marilena Chauí: (...) a vida intelectual é uma experiência de autonomia – autonomia na lógica do tempo e autonomia na lógica das ideias. E é por causa disso que o intelectual é capaz de se comprometer politicamente. Isto é, no sentido de fazer política – e não do poder – o lugar privilegiado de exercício de sua ação a partir do seu tempo de reflexão e da lógica de suas ideias. E por isso eu costumo dizer que, quando um intelectual está no poder, a expressão “intelectual no poder” é um oximoro, é uma contradição nos termos. Um intelectual não pode estar no poder, porque a lógica do poder e a lógica da vida intelectual são antagônicas, se excluem reciprocamente. Toda a questão, portanto, é saber por que os intelectuais podem ter fascínio sobre o poder, desejo de poder, ambição de poder. O que é diferente do compromisso político que o intelectual possa ter.

Considerando o ponto de vista da pensadora brasileira, indique a alternativa verdadeira.


Os intelectuais, em geral, sentem fascínio pelo poder, pois não se contentam apenas em exercer seus direitos políticos como cidadãos.

A instância do poder é o lugar privilegiado para que o intelectual possa exercer sua ação, fundamentada no seu tempo de reflexão e na lógica de suas ideias.

O intelectual é um ser apolítico por natureza, embora possa, eventualmente, ocupar cargos públicos.

Ser intelectual e ocupar o poder, ao mesmo tempo, são ideias que não se compatibilizam, pois são movidas por princípios diferentes.

O intelectual não consegue engajar-se politicamente porque a política o impede de exercer sua autonomia de ideias e sua própria lógica do tempo.

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Respostas

2014-08-28T22:36:19-03:00
Ser intelectual e ocupar o poder, ao mesmo tempo, são ideias que não se compatibilizam, pois são movidas por princípios diferentes.
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