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2014-09-03T17:10:57-03:00
As coisas estavam difíceis na Itália. A industrialização gerou uma crise de emprego e ainda havia o problema com o crescimento populacional. Por causa disso, muitas pessoas estavam optando por viver em outros países. Para aqueles que fossem viver fora da Itália havia a promessa de boas terras para o plantio e também de um novo começo de vida.
Um amigo de meu pai nos ofereceu uma vaga no navio que tinha como destino uma terra distante, do outro lado do oceano, chamada Brasil. Depois de pensar muito, minha família decidiu que seria o melhor para nós. E então, numa manhã fria de setembro, embarcamos com muitas expectativas e planos na bagagem.
A viagem foi muito demorada e uma boa parte dos viajantes pereceu doente durante ela. Não havia muito o que fazer para passar o tempo, de modo que os dias foram ficando cansativos e tediosos. Só tínhamos a imensidão do oceano para observar e o céu volúvel sobre nós. Por vezes eu ficava enjoada de tanto olhar para o azul infinito e precisava entreter-me e me contentar em observar os vãos no piso de madeira do navio, ou os pais chorando pela morte prematura de um filho adoecido.
Minha mãe tentava ajudar os enfermos improvisando remédios com o que tinha à bordo, enquanto meu pai se sensibilizava em confortar a família daqueles que não conseguiam a cura a tempo.
Os dias foram se arrastando, e as semanas quase passavam desapercebidas. Até que numa tarde abafada, o navio parou no porto de Santos, que, meu pai me informou, ficava em São Paulo, na costa brasileira.
Foi como um sopro de animação. Saí para o ar fresco antes que minha família pudesse terminar de juntar nossos pertences, e fiquei maravilhada. O povo falava num tom animado, com uma língua menos cantarolada do que a nossa. Havia muita cor, muita gente e muitas vozes cantando, gritando e chamando por alguém. Era tudo novo, tudo prometia ser melhor.
Naquela hora, nem mesmo tive tempo de sentir saudades de casa. Porque, a partir daquele momento, aquela era minha nova casa.
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