Respostas

2013-03-22T22:58:39-03:00

O circo faturava seu milenar sucesso em cima da exploração dos animais, do risco, do bizarro e dos limites da ação humana. Ver animais realizando feitos inimagináveis, viver a tensão de assistir artistas fazendo malabarismos nas alturas com risco de vida, horrorizar-se ao contemplar seres humanos portadores das mais bizarras deformações e apreciar pessoas se contorcendo, equilibrando ou levantando peso nos confins do limite do possível – esses foram os quatro pilares que levaram legiões de espectadores aos circos através dos tempos.

E eis que de repente, não mais que de repente, três desses pilares caíram ao mesmo tempo no fundo fosso do politicamente incorreto. Sobrou a exploração das ações humanas extraordinárias que também apreciamos nos esportes olímpicos. Como poderia o circo sobreviver com apenas um de seus pilares? Assim, as opções eram: desaparecer ou reinventar-se.

E o circo reinventou-se: o mundo foi subitamente inundado pelos grandiosos espetáculos do Cirque du Soleil.

Quando entramos em uma de suas tendas, reencontramos, para começar, a própria! Apesar de toda tecnologia, a tenda do Cirque du Soleil é definitivamente uma tenda e só isso já é suficiente para que entendamos claramente que vamos assistir a um espetáculo circense. Mas tem mais: ainda reencontramos palhaços, malabaristas, equilibristas e apresentadores. Só que a semelhança acaba aqui. Então qual foi a reinvenção? O que o Cirque du Soleil fez foi trocar o entretenimento obtido por meio da exploração do perigo, do medo e do asco, pelo entretenimento que vem do Belo. E a tradução que se deu ao Belo combina dois ingredientes: o encantamento das narrativas e a riqueza que eclode do diálogo entre as várias artes.

 

 

 

É isso que tenho para oferecer. Espero que tenha ajudado...