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2013-12-11T23:01:57-02:00
Para dar aos futuros padres melhor educação intelectual e sacerdotal, decidiu-se a criação de um seminário por diocese. A doutrina católica foi definida com intransigência relativamente às inovações protestantes: os fiéis conquistam a salvação pela fé, mas também por uma prática regular e cotidiana; a fé deve alimentar-se não só nas fontes bíblicas, mas também nos ensinamentos dos padres da Igreja, nos cânones conciliares e nas bulas papais.A Igreja reafirma-se como indispensável para a salvação, sendo uma sociedade hierarquizada sob a autoridade espiritual do papa. Há sete sacramentos e o culto continuava centrado em torno damissa, cujo ponto culminante é o sacrifício eucarístico, reafirmado como transformação real do pão e do vinho em corpo e sangue de Cristo (doutrina da transubstanciação). Mantinha-se, ademais, o culto da Virgem, o dos santos, a existência do purgatório e o valor das indulgências.O Concílio de Trento, mesmo atrasado em uma geração, marcará a retomada dos rumos da Igreja após o rude golpe da Reforma.Adotando novos sistemas de treinamento para o clero, como por exemplo o colégio jesuíta Germanicum, destinado a preparar sacerdotes sobretudo para trabalharem a favor do catolicismo naAlemanha – providenciando mais ensino e pregação e atacando a superstição – suas reformas, ainda que não tivessem obtido uma pronta resposta, lograram conseguir a reversão do avanço do protestantismo.É a tentativa de implantação das normas tridentinas que vai orientar o longo processo de romanização do catolicismo no mundo e no Brasil no decorrer do século XIX.Daí, em nosso entender, torna-se essencial para um entendimento mais abrangente daquilo que se chama romanização ou reforma ultramontana serem abordados inicialmente alguns pontos do Concílio de Trento. São justamente esses pontos que formarão a linha do talvegue de toda a orientação teológica da Igreja. A unidade de comunhão a ser seguida é ditada pelo Concílio, tornando-se bem clara a advertência: “Para que nossa fé católica, sem a qual é impossível agradar a Deus (Heb 11,6), purificada dos erros, permaneça em sua pureza íntegra e ilibada; e para que o povo cristão não se deixe agitar por qualquer sopro de doutrina (Ef 4, 14)[...]” (o grifo é nosso)A transubstanciação, fonte de tantas querelas, é fortemente ratificada, buscando-se a unidade de fé: “Uma vez, porém, que Cristo Nosso Redentor disse que aquilo que oferecia sob a espécie de pão era verdadeiramente seu corpo (Mt 26,26; Mc 14,22 ss; Lc 22,19 ss; 1 Cor 11,24 ss), sempre houve na Igreja de Deus esta mesma persuasão, que agora este santo Concílio passa a declarar: Pela consagração do pão e do vinho se efetua a conversão de toda a substância do pão na substância do corpo de Cristo Nosso Senhor, e de toda a substância do vinho na substância do seu sangue. Esta conversão foi com muito acerto e propriedade chamada pela Igreja Católica de transubstanciação.”A definição do conceito de contrição não deixa dúvidas: “A contrição, que tem o primeiro lugar entre os mencionados atos do penitente, é uma dor da alma e detestação do pecado cometido, com propósito de não tornar a pecar.”O pecado também poderia ser perdoado por atrição, considerando-se que nem todos são habitados pelo Espírito Santo, mas tão somente movidos por ele: “[...]Quanto àquela contrição imperfeita[...], chamada atrição, porque nasce ordinariamente da consideração da torpeza do pecado ou do temor do inferno e dos castigos, se com a esperança do perdão excluir a vontade de pecar[...]”Finalmente, a busca da unidade de governo da Igreja, com a clara ameaça de excomunhão aos dissidentes: “E se alguém afirmar que todos os cristãos são, indistintamente, sacerdotes do Novo estamento [...] parece não fazer outra coisa senão confundir a hierarquia eclesiástica [...] como se, contra a doutrina de São Paulo, todos fossem apóstolos, todos profetas, todos evangelistas, todos pastores e todos doutores[...]Portanto[...]os Bispos, que são os sucessores dos Apóstolos, pertencem à ordem jerárquica[...]estabelecidos pelo Espírito Santo para governar a Igreja de Deus (At 20, 28)[...]Ensina ademais[...]na ordenação dos Bispos e sacerdotes[...]não se requer o consentimento do povo nem de qualquer poder ou magistrado secular[...]” Concílio Ecumênico de Trento. Sessão XXIII (15-7-1563). parágrafo 960. Coleção Documentos Pontifícios. N.º 95. Petrópolis: Vozes. 1959. pp. 66-67.“Se alguém disser que na Igreja Católica não há hierarquia eclesiástica estabelecida por ordem de Deus, que se compõe de Bispos, presbíteros e ministros – seja excomungado
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