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2014-01-03T19:12:12-02:00

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Prezada, 

A colonização ou invasão das terras que hoje formam o Brasil por Portugal na América requeriam um alto investimento. Seria o comparável, aproximadamente, a irmos, na atualidade, conquistar Marte (o planeta vermelho) .

O pau-brasil, entre outros produtos comerciais interessantes das terras que seriam o Brasil não requeriam a presença continuada no território, haja vista que sua obtenção era mais fácil através do escambo (troca de bugigangas com os índios). 

Além disso, não havia uma população tão grande em Portugal como a que existia na Espanha, de modo que era mais interessante, do ponto de vista do lucro financeiro, investir em navios para ir às Índias, ou cultivar a cana-de-açúcar nas ilhas de Madeira,  haja vista estarem mais próximas do continente europeu.

Desse modo, apenas quando o comércio com as Índias e outros países orientais deixou de ser tão rentável e Portugal desenvolveu a tecnologia para o cultivo da cana-de-açúcar nas ilhas de Madeira e Açores, bem como outras nações europeias (especialmente a França) ameaçavam tomar o território que hoje seria o Brasil, Portugal promoveu o sistema de capitanias hereditárias como uma tentativa de colonizar o gigantesco território que possuía.  
Além disso, franceses e outros povos ameaçavam o domínio do território por Portugal em razão de acordos com os índios de modo a obter o pau-brasil e outros recursos importantes, como a pimenta.

Assim, o projeto colonizador português partia de experiências já realizadas em algumas ilhas, através das capitanias hereditárias, de modo que transferia os principais gastos do empreendimento colonizador para particulares. Muitos, inclusive diziam algo semelhante a "tenho de conquistar por polegada as terras que o rei me dá em quilômetros", divido ao combate dos índios e franceses.

Exceto por Pernambuco e São Vicente, esse sistema falhou, pois os índios, em razão das invasões, submissão dos indígenas à escravidão, bem como destruição e todos o tipo de pressão que podiam fazer sobre os nativos em busca de tesouros.

Como as notícias se espalhavam rápido entre as tribos indígenas, muitas escolhiam fazer pactos com os franceses, povo europeu que estava mais interessado em fazer o comércio, de maneira que os portugueses eram vistos como inimigos por muitos povos. Isso explica, por exemplo, as dificuldades que eles tiveram em colonizar o Rio Grande do Norte, com a morte de dezenas de portugueses em cada tentativa. 

Assim, os índios passaram a ser escravizados para trabalhar nas lavouras de cana-de-açúcar. Entretanto, na divisão de trabalho indígena, os homens caçavam e guerreavam, cabendo às mulheres o cultivo de alimentos e coletas de frutas. Sem liberdade, tendo que realizar um trabalho feminino que para eles não fazia muito sentido, muitos preferiam morrer de fome, suicidando-se, bem como se recusando a trabalhar. Dessas características de não conseguirem obrigar os índios ao trabalho pesado na lavoura por muito tempo, criou-se o mito de que os indígenas seriam "preguiçosos".

A partir de então, com o encontro dos portugueses e outros europeus com a escravidão de africanos pelos próprios africanos e pelos árabes, a mão de obra africana passou a ser utilizada nas lavouras de cana, de modo que os maiores estados produtores de cana-de-açúcar ainda hoje apresentam boa parte da população composta por afrodescendentes.

Além disso, o
s jesuítas tiveram um papel essencial para a colonização do Brasil, principalmente no início. Eles foram os responsáveis pelas primeiras escolas no Brasil, inclusive com cursos secundários, nos quais se estudava letras e filosofia.

Eles eram bem organizados, estudiosos, e práticos, trocando experiências sobre as práticas de catequização que tinham êxito ou não, bem como apropriando-se das culturas locais para melhor converterem. 

Tal como fizeram no Japão, eles aprenderam as línguas indígenas e criaram dicionários destas para o português, apropriando-se das línguas dos índios, ensinando-os a cultivar a terra e cuidar de animais, criando povoamentos que se converteram em cidades, em diferentes locais do Brasil. Muitos desses índios eram, contrariando a vontade dos religiosos, capturados e convertidos em escravos. 

Na verdade, eles não desejavam a escravidão dos indígenas, convertendo-os não apenas à religião católica, mas à vida sedentária com o cultivo de plantas trazidas de outras partes do mundo, bem como a criação de animais trazidos pelos portugueses. Assim, esses religiosos adquiriram poder na sociedade, tanto que foram expulsos do Brasil em 1759.

Vale ressaltar que a maior parte da sociedade da época, mesmo nas cidades, era composta por índios, escravos e uma pequena quantidade de brancos, em geral, homens portugueses. Nesse sentido, com a quase absoluta ausência de mulheres europeias, a miscigenação foi um fator importante para a formação da sociedade da época, influenciando ainda hoje a composição étnica do povo brasileiro.
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Rodrigo, como assim a capitania de São Vicente deu certo? Achei que ela fosse uma das mais miseráveis
Estimada, a capitania de São Vicente e de Pernambuco foram as únicas nas quais esse modelo de colonização, baseado no financiamento e controle privado e uma boa dose de autonomia frente à Coroa Portuguesa, deu certo, de modo que Portugal o substituiu pelo modelo do governo geral, instituído em 1548/1549 (que sobrepôs o poder dos donatários). Em termos jurídicos, assemelhavam-se às nomas que regiam o mundo feudal.
Assim, deram certo no sentido de que essa colonização ocorreu no tempo previsto, de acordo com as normas iniciais de Portugal.
Ah sim.Obrigada!
Por nada. :-D