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2014-02-10T19:46:11-02:00
O porto de Salvador foi um dos principais receptores de mão-de-obra africana enquanto perdurou no Brasil o comércio transatlântico de escravos. De lá, muitos cativos foram redirecionados para diversas praças mercantis da América portuguesa, incluindo localidades distantes como Rio Grande do Sul e Colônia do Sacramento. Invariavelmente, esse deslocamento ocorria por via marítima, muitas vezes em navios apinhados de escravos.  É corrente na historiografia brasileira que o fluxo de escravos para a região sul do continente se dava via porto do Rio de Janeiro. De todo modo, é possível sugerir que a demanda por mão-de-obra escrava não fosse de todo atendida pelo porto carioca, cabendo à praça mercantil de Salvador o papel complementar. Tal proposição pode apontar para conexões comerciais envolvendo agentes baianos e aqueles localizados ao sul da América lusa, indivíduos que faziam ligações com diversas partes do Império português. Desta forma, o fluxo de cativos da Bahia para a extremidade sul da América portuguesa pode ser entendido como sendo constituinte da terceira perna do tráfico atlântico baiano (a primeira seria do interior africano aos portos de embarque; a segunda a travessia atlântica até o porto de Salvador).