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2014-03-18T09:14:04-03:00
(1917-1930)No início do século XX o Estado brasileiro era controlado por uma oligarquia, formada principalmente por grandes cafeicultores e industriais do Sudeste. Milhões de brasileiros, apesar de pagarem impostos, quase nada recebiam em troca, pois os benefícios promovidos pelo Estado atingiam apenas os membros da elite.Essa situação provocou o descontentamento de alguns grupos, comooperários e jovens militares. A mesma ânsia de renovação era partilhada porartistas que discordavam dos padrões estéticos adotados no país e propunham um novo tipo de arte.De diferentes maneiras, todos esses grupos procuraram transformar a realidade brasileira.Operariado se organiza. Nos primeiros tempos da industrialização no Brasil, a vida dos operários era muito difícil. Eles eram obrigados a trabalhar catorze horas diárias, sem nenhum amparo legal, não recebiam férias nem 13º salário. Os salários eram muito baixos e, para economizar ainda mais, os patrões preferiam contratar mulheres e crianças, que ganhavam menos do que os homens.Diante dessa situação, a classe operária começou a se organizar para lutar por melhores condições de vida e de trabalho. No Brasil, essa organização também esteve relacionada à vinda dos imigrantes, que trouxeram e divulgaram as principais idéias do movimento operário europeu, como o comunismo, o anarquismo e o anarcossindicalismo.Os comunistas achavam que os trabalhadores deveriam formar um partido político para chegar ao poder. Os anarquistas, por sua vez, defendiam o fim do Estado e da propriedade privada. operárias.ANARCOSSINDICALISMONo século XIX essa palavra designava uma tendência do anarquismo que atribuía aos sindicatos o principal papel na luta para romper com a sociedade capitalista.No século XX a palavra passou a nomear também ações sindicais que valorizavam as tendências contrárias ao Estado e a todo tipo de autoridade centralizada, privilegiando a ação direta (greves, bloqueio de estradas, sabotagens, boicotes e desobediência civil) e a autogestão (ausência de representantes políticos, atribuindo a todos a tomada de decisões). No entanto, perseguições políticas, preconceitos e doenças fizeram com que a experiência fracassasse e em 1894 os anarquistasjá haviam abandonado a colônia.Imprensa operáriaNas primeiras décadas do século XX os operários se organizaram emassociações, criaram sindicatos e começaram a publicar jornais, com o objetivo de estimular a luta por seus direitos. Um dos jornais mais influentes foiA Plebe, fundado em 1917 pelo anarquista Edgard Leuenroth. Muitos desses periódicos eram escritos em italiano ou em espanhol, pois era grande o número de imigrantes europeus que trabalhavam no Brasil.O resultado dessa mobilização dos trabalhadores se manifestou rapidamente: em 1907 e 1917 ocorreram no país as duas greves mais significativas até então. A primeira começou em São Paulo e se alastrou pelo interior do estado. A segunda também começou na capital paulista e atingiu o Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia, Rio Grande do Sul e Pernambuco.Os operários exigiam melhores salários, redução da jornada e reconhecimento de direitos trabalhistas, entre outras medidas. O governo reprimiu violentamente as manifestações. Para enfraquecer o movimento, expulsou do país muitos líderes operários estrangeiros, alegando que ameaçavam a ordem social brasileira.Em 1922, foi fundado o Partido Comunista do Brasil (PCB), que atraiu muitos anarquistas para suas fileiras e passou a exercer grande influência sobre o operariado. Os grevistas conseguiram grande parte de suas reivindicações. Isso deu tal ânimo aos movimentos operários que nos quatro anos seguintes greves parciais pipocaram em diversas cidades do Brasil.A greve geral brasileira ocorreu no mesmo ano em que a revolução Russa chocava o mundo e poucos meses antes da implantação do regime socialista na Rússia. Começou em São Paulo, entre os operários de uma fábrica têxtil que reivindicavam aumento de 20% nos salários.A partir daí foi ganhando adesão de outros trabalhadores, já que pela primeira vez se unificaram as reivindicações. Um mês depois já eram 20 mil grevistas, reprimidos com violência pela polícia, o que só fez aumentar a solidariedade à greve.Bondes, iluminação pública, casas de comércio aderiram, e a elite paulistana foi tomada de pânico. A radicalização aumentava, de parte a parte, e a greve só foi suspensa no dia 15 de julho, depois que uma comissão de jornalistas resolveu intermediar, promovendo um acordo em que os operários conseguiram suas reivindicações.Isto é, conseguiram em termos: quatro dias depois recomeçou a agitação, pois muitos patrões não cumpriram o combinado.
Dessa vez, as greves ultrapassaram São Paulo e aconteceram também no Rio de Janeiro, em Curitiba e em muitas cidades. Em agosto de 1917 eram 70 mil grevistas em todo país.
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