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2014-04-24T18:02:58-03:00
Uma desregulamentação do sistema monetário internacional e dois choquespetrolíferos (em 1973 e 1979) estiveram na origem de uma crise económica que,no início dos anos 70, travou o ritmo de crescimento nos países industrializados.O dólar americano, que servia de referência a todas as economias ocidentaisdesde a década de 40, foi desvalorizado a 15 de agosto de 1971 e perdeu a suaparidade relativamente ao ouro. Dois anos depois, no final de 1973, os paísesárabes membros da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo),aumentaram quatro vezes o preço do petróleo no espaço de três meses, numaaltura em que estavam em guerra com Israel, e nacionalizaram as instalaçõesocidentais. Entre 1979 e 1980, ocorre uma nova crise petrolífera. Com a quedada oferta, os preços do barril sobem para cima de 30 dólares, e o aumentodesta fonte de energia tem graves repercussões nalguns setores industriais daEuropa, que denotam uma nítida dificuldade em acompanhar os tempos, emespecial a siderurgia, a construção naval e a química pesada.
A subida de preços arrasta o déficit comercial, e as atividades mais relacionadascom a utilização do petróleo, como por exemplo a construção automóvel,sentem mais de perto esta recessão económica. Deu-se também umagravamento da inflação, e a Europa entra numa fase denominada deestagnação, isto é, uma combinação de uma recessão com o aumento dainflação. Como resultado desta situação registam-se inúmeras falências e acrise das indústrias tradicionais que haviam estado na base do arranque daRevolução Industrial, como a siderurgia, a metalurgia, os têxteis e derivadosdestas.
O problema do desemprego, que no princípio dos anos 70 quase desaparecera,volta a afligir as economias europeias, mas desta vez é um desemprego muitofocalizado: atinge essencialmente jovens sem formação especializada, mulheres,trabalhadores imigrantes e os operários das indústrias tradicionais. A taxa dedesemprego na CEE (Comunidade Económica Europeia) chegou a atingir, em1983, cerca de 10% da população ativa, o que é uma fasquia bastante elevada.Afetou principalmente o Reino Unido e a Itália.
Para agravar a crise, os trabalhadores imigrados, em luta pelos seus postos detrabalho, são vítimas da marginalização social e, em alguns países, são alvo demovimentos xenófobos, num período em que ressurgem as ideologias fascistas.
Analisando mais de perto, já no início da década de 70 se faziam sentir os sinaisdesta crise à escala mundial: a produção industrial estava a diminuir, verificava-se um aumento generalizado dos preços dos produtos, as taxas de desempregoestavam a subir e algumas indústrias como a siderurgia, a construção naval, aindústria têxtil, a construção automóvel e o setor dos transportes aéreosameaçavam falir.
Contrariamente à grave crise de 1929, a de 1970 estava associada a uma altade preços. Neste caso, houve a conjugação de uma estagnação com a inflação,o que provocou um aumento dos preços mas também uma subida dos salários elevou a uma proteção dos sistemas sociais nalguns países da Europa Ocidental;estes conseguiram afastar uma parte dos efeitos negativos desta crise atravésdos subsídios de desemprego e da manutenção do poder de compra.
A uma queda inicial do comércio internacional, seguiu-se um crescimento,compreensível porque o crash da bolsa americana em 1973 não teve gravesrepercussões na economia mundial como tivera o mesmo fenómeno no final dadécada de 20. Pode até dizer-se que alguns países ultrapassaram facilmenteesta crise depois de 1973, pela reconversão da indústria conseguida através datransformação dos setores mais fragilizados por outros que suscitassem umamaior procura.
É do consenso geral que dois fatores concorrem para a explicação desta criseda década de 70. Por um lado, era evidente a desvalorização do dólaramericano, para além da perda da sua paridade em relação ao ouro decretadapelo presidente Nixon em 1971; por outro, as crises petrolíferas de 1973 e 1979conduziram a um aumento muito acentuado do preço do petróleo e este,consequentemente, dos bens de consumo.
A quebra da paridade do dólar americano e do ouro em 1971 alterou o sistemamonetário internacional, que estava assente nos acordos de Bretton-Woods de1944, a partir dos quais se fundou o FMI. A decisão tomada pelo presidenteamericano conduziu a uma flutuação das moedas mais significativas e a umainstabilidade no comércio internacional.
A importância da subida repentina dos preços do petróleo, e a sua descida deprodução decretada pelos países da OPEP, aparentemente motivada pela guerracom Israel, foi exacerbada por alguns autores, mas não há dúvida que teve umgrande peso nesta crise a partir de 1973, embora não seja a sua principalcausa. Houve um aumento repentino do desemprego e da inflação, e os paísesatingidos por estes acontecimentos tiveram de diminuir o consumo de energianuma época de crise petrolífera, o que fez diminuir a procura.
O choque petrolífero precipitou esta crise mas não foi o seu motor, pois adebilidade deste setor já se vinha fazendo sentir desde a década de 60. Poroutro lado, a tomada de posição da OPEP não se prendeu somente com a guerraisraelo-árabe, mas também com fatores económicos: os países industrializadoscompravam esta matéria prima muito barata para a transformarem depois emprodutos de elevado custo. Esta situação só podia ser invertida com um aumento dos preços da matéria prima e, consequentemente, das receitas da OPEP. Portanto, a motivação política escondia propósitos econômicos. O aumento do preço do petróleo conduziu a um aumento da inflação, que provocou a redefinição das políticas econômicas nos países industrializados.