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2014-05-03T18:35:22-03:00
Após a queda do muro de Berlim, nas primeiras eleições livres na república em novembro de 1990, os comunistas foram amplamente derrotados por dois partidos nacionalistas, que representavam às comunidades sérvia e croata, e por um partido de inspiração muçulmana, que defendia uma Bósnia e Herzegovina multiétnica. O líder do muçulmano Partido de Ação Democrática, Alija Izetbegovic, que obteve o maior número de votos foi nomeado presidente. 

Muçulmanos e croatas uniram-se contra os nacionalistas sérvios e declararam a independência da Iugoslávia no dia 15 de outubro de 1991. Quebrava-se assim, a regra tática da política Bósnia em outorgar o voto à cada uma das três nacionalidades, em assuntos de capital importância. Para legitimar a decisão, convocou-se um referéndum em fevereiro de 1992, e 99% dos votos apoiaram a independência. Os parlamentares sérvios optaram por retirar-se e estabelecer um parlamento próprio em Pale, a 20 quilômetros de Sarajevo. 

O governo do presidente Izbetgovic tratava de garantir os direitos das três comunidades, e uma administração dividida em regiões autônomas, enquanto que os líderes sérvios de Belgrado incitavam aos sérvios bósnios mais extremistas a defender-se de um presunto genocídio. As conversações para a divisão da Bósnia e Herzegovina quebraram-se definitivamente à raiz do reconhecimento da nova república pela União Européia e os Estados Unidos, na primavera de 1992. 

Com o apoio do exército de Belgrado, os sérvios de Bósnia começaram as hostilidades, que desembocaram em uma cruel guerra civil. O cerco de Sarajevo, os massacres e as inúmeras "limpezas étnicas" têm ocupado os titulares dos meios do mundo todo, até hoje. Com muito atraso, após quase 200.000 mortos e mais de três milhões de pessoas deslocadas dos lares, a comunidade internacional interveio para impôr as conversações de paz de Dayton, Ohio (EE.UU.), em 1996. 

Hoje, entre frequentes e enconadas tensões ainda tentam-se aplicar os Acordos de Dayton, propondo uma república federal, com uma região autônoma para cada nacionalidade e com uma presidência tripartidária. Não pode-se enxergar ainda, que deparará o futuro em uma região, cujas diferenças étnicas, aplacadas durante séculos, têm explodido com uma violência e um ódio desconhecidos na Europa da pós-guerra.
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