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  • Usuário do Brainly
2014-05-11T01:26:20-03:00
Uma das dificuldades que curtem a cabeça dos estudiosos sobre a vida camponesa no Brasil é justamente, criar um consenso sobre a própria definição do camponês brasileiro.

Dentre várias explicações, esse termo só veio a ganhar força em meados do século XX, com a formação das ligas camponesas em Pernambuco, que em seu núcleo estava concentrado um grande número de trabalhadores rurais, organizados em uma








associação, que viviam da terra, e dela tiravam sua subsistência, levando o seu limitado excesso de produção a pequenos centros comercias destinando-os a venda.

Essa característica de uma pequena propriedade rural utilizada para a subsistência familiar, já é observada desde os períodos colonial e imperial brasileiro. Sendo formado por várias parcelas da sociedade numa mesma época e em épocas diferentes.

Dentro desta complexa formação do campesinato brasileiro gostaria de citar alguns componentes construtores desta parte do sistema agrário.

Ainda na época colonial a margem dos grandes engenhos de açúcar, já existia uma agricultura diversificada, realizada por homens livres, em pequenas propriedades, onde sua produção era destinada para a subsistência, abastecimento de vilas e até engenhos. Existiam também os camponeses que realizavam o cultivo da cana e moíam nos engenhos mediante um percentual da produção. Outro grupo, os chamados foreiros, que utilizavam as terras de grandes proprietários pagando com dias de trabalho ou em dinheiro, o aluguel da terra, o chamado foro.

Ao lado destes ainda existiam os moradores que trabalhavam nas propriedades que apesar de serem mão de obra, realizavam a exploração dos sítios com a ajuda da família. Gostaria ainda de ressaltar que esses sistemas não foram utilizados apenas na zona canavieira, mais em outras culturas como a do café, por exemplo.

Para todas estas formas de constituição da classe camponesa, existiram grupos sociais diferentes. Os portugueses, pobres, que imigravam para o Brasil, os imigrantes alemães, suíços e italianos, que vieram para o Brasil em situações diferentes, uns como colonos para trabalharem como mão-de-obra e outros como agricultores para ocuparem terras e desenvolverem a agricultura, sem esquecer, é claro, dos escravos que em seus quilombos retiravam da lavoura sua subsistência e após sua liberdade, em alguns casos, formavam pequenas vilas agrícolas.

Como qualquer outro setor da sociedade, os camponeses também sentiram as influências do avanço capitalista e as mudanças econômicas e sociais que ele acarreta.

Podemos dizer que esta influência foi introduzida mais notadamente no campo a partir dos intermediários comercias que levava o excedente de produção do pequeno proprietário para as grandes cidades. Como já foi dito acima os camponeses tinham uma lavoura de subsistência e o pouco que sobrava era comercializado diretamente com as vilas mais próximas, porém para que estes alimentos chegasse aos grandes centros só existia um caminho o “atravessador”, que poderia ser um camponês que possuísse animais de transporte, ou um comerciante da própria cidade, que tinha o interesse de captar produtos agrícolas para revenda.

Com este capital, mesmo que injusto, o camponês passou a fazer uso de alguns objetos da modernidade como a televisão e o rádio, que foi em seu meio, o elemento de aculturação mais forte, trazendo para si vários valores e desejos capitalistas que antes não existia, entre eles o mais pernicioso, o consumismo. Não sabendo eles, que este seria seu grande problema no futuro.

Com este novo pensamento o camponês tinha vontade de crescer, realizando maiores plantações, ou se dirigindo para as grandes cidades, em busca de uma melhor condição de vida, dentro, é claro, das suas novas concepções. O que talvez para maioria não tenha sido a melhor solução, tendo em vista que na parte agrícola, os empréstimos para pequenos agricultores são mais onerosos do que para os empréstimos aos grandes latifúndios, levando ao endividamento de muito camponeses. Já no caso das migrações elas tendem a suturar as cidades chegando a um ponto em que economicamente elas não absorvem mais toda mão de obra deixando uma massa de desempregados muito grande.

O capitalismo é muito propenso à concentração de riquezas seja ela monetária, ou de bens de capital como: a terra, maquinaria voltada para agricultura, infra-estrutura, para armazenamento e transporte entre vários outros exemplos. Voltado para esta ótica fica claro que quanto mais o capitalismo se expandia no Brasil, mais o pequeno agricultor perdia espaço, sem chance de concorrer com a agro-indústria que estava nascendo.

Todo esse contato com a modernidade, seja ela do ponto de vista econômico, como do ponto de vista cultural, criou toda uma nova estrutura no modo de vida dos camponeses, que de certa forma não se beneficiaram tais mudanças e que a partir desta experiência, que continuam a viver tracem uma nova perspectiva de vida, quem sabe na tentativa de retomada de velhos costumes.