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2013-06-18T22:43:34-03:00

O ser humano  está sempre tentando equilibrar a busca do seu caminho exclusivo, daquilo que o  diferencia, com a busca de ser aceito pelas pessoas mais próximas, pelos grupos  aos quais pertence e pela sociedade em geral.

Quando  crianças, encontramos o mundo “pronto” e nos esforçamos pra entendê-lo  e nos encaixarmos nele. A sociedade nos  ensina, ao mostrar o que é positivo e negativo, o que fazer pra sermos bem  aceitos. No momento em que começamos a procurar o nosso caminho exclusivo,  próprio, a nossa energia passa a se concentrar no aprendizado de como se  ajustar às expectativas sociais... Porque precisamos ser queridos, valorizados,  integrados. E a sociedade predomina sobre o indivíduo.

Então, vamos  construindo uma personalidade para ser aceita por todos: nós nos mostramos  cordiais, abertos, equilibrados e, ao mesmo tempo, vamos desenvolvendo técnicas  de dissimular nossos medos, raivas, e esconder a agressividade. E assim  crescemos, abafando o que é considerado negativo, dissimulando- o ao máximo.

No entanto, os  impulsos pra evoluir continuam escondidos, atentos, desenvolvendo- se em  silêncio... e se manifestando em momentos inesperados. São impulsos de vida, de  força. Acontece que estão mal direcionados, porque não têm espaço para se  manifestarem, não estão sendo aceitos, não estão sendo integrados à  personalidade. Por isso, esses impulsos não integrados mantêm os jovens seres  humanos em tensão surda, exigindo um esforço extenuante para conseguir  reequilibrar a personalidade com as demandas sociais.

No início da  idade adulta, quando as pessoas definem e experimentam as primeiras escolhas,  tanto as profissionais como as afetivas, começam notar quanto espaço de sua  personalidade elas cederam – para conquistar um trabalho, para construir e  manter uma família, enfim: para se adaptarem aos outros e aos ambientes que  freqüentam. Então, surge a necessidade de redefinir as metas, de expressar  melhor a própria personalidade, de se tornarem pessoas com luz própria.

Assim, e  geralmente a partir de acontecimentos marcantes e de crises variadas, nós  constatamos que precisamos avaliar nossas metas, nosso objetivos, para  descobrir nossa verdadeira identidade. Então, começamos a rever o que temos:  valores, expectativas, educação; mantemos o que nos serve e tentamos descartar  o que nos pesa, o que parece inútil. E começamos a caminhar para a autonomia,  para a individuação, para o crescimento pessoal integral.

Em muitas  pessoas, é tão forte o peso da “educação adaptadora”, dos padrões adquiridos,  que, mesmo insatisfeitas, só conseguem reproduzir os mesmos modelos de  comportamento. Vivem contraditoriamente, alimentando sonhos que não conseguem  realizar ou, simplesmente, resignam-se aos padrões “normais”, com a  justificativa de que “a vida é assim mesmo”, e efetuam mudanças cosméticas,  periféricas, pouco significativas.

Para outras  pessoas, esta etapa de transição leva-as a mudanças importantes na forma de  viver, porque assumem, de fato, os valores que não descartaram como inúteis e  pesados. Essas pessoas passam a fazer o que gostam, e não o que os outros  esperam delas. Operam mudanças internas que se refletem, cedo ou tarde, nas  decisões que tomam: podem mudar de tipo ou o lugar de trabalho; podem mudar a  sua forma de interagir com os outros; às vezes mudam até seus parceiros  afetivos. São pessoas que mudam, fundamentalmente, os modos de lidar consigo  mesmas, com os outros, com a natureza, com o presente e com o futuro.

As  mudanças menores, do dia-a-dia, produzem, a longo prazo, grandes saltos de  qualidade, gerando diferenças significativas na forma como a gente se vê e como  somos vistos pelos demais. Tornamo-nos pessoas mais harmônicas, integradas,  realizadas, que caminham em processos  de mudança libertadora... pessoas que estão aprendendo a viver.
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