Respostas

2014-05-25T23:52:09-03:00
Quando D. João VI chegou ao Brasil em 1806 com sua imponente corte e inumeráveis navios, fugindo da Europa e de Napoleão, grande parte do luxo e da riqueza que ostentava era originária das minas brasileiras, especialmente da província de Minas Gerais. Nesta, e desde o final do século XVII, o ouro era extraído em quantidades fabulosas nas comarcas de Vila Rica, Rio das Mortes, Sabará e Serro Frio. A mais populosa das quatro era Sabará, que contava em 1776, conforme dados atribuídos a José Joaquim da Rocha, 99.576 habitantes, dos quais 14.394 eram brancos, 34.236 pardos e 50.946 negros. No mesmo ano, o Rio das Mortes contava 82.781 no total, Vila Rica 78.618 e Serro Frio 58.794. Em todas as comarcas os negros e pardos constituíam a maioria da população (76,8% no Serro Frio). Sendo a mais populosa e possuindo o maior contingente de negros e pardos (quase todos escravos), pode-se concluir que Sabará era na época a maior produtora de ouro da Capitania. Foi portanto a partir de suas minas e a partir de Portugal, que a Inglaterra se tornou a mais poderosa nação européia, contra a qual se levantou Napoleão Bonaparte. Não é exagero, pois, dizer que a história econômica moderna tem um pouco a ver com a pequena Sabará, pelo menos no que se refere aos séculos XVII e XVIII.

Com a transferência da capital de Minas para Belo Horizonte, instalada no Curral del Rei, área desmembrada de Sabará e situada na sua vizinhança, a cidade, já em decadência pela queda na produção de ouro e sem recursos capazes de substituí-lo, entrou em franco declínio, como aliás todas as demais vilas produtoras. Ao mesmo tempo, devido à proximidade com a nova capital, sofreu profunda descaracterização, ao contrário de Ouro Preto, Diamantina, São João del-Rei e Tiradentes, mais distantes e menos suscetíveis a perderem seu brilhante patrimônio histórico.

Nos dias atuais, Sabará conserva pequena parcela (mas bastante valiosa) da riqueza colonial, pelo empobrecimento da população a partir da segunda metade do século XVIII, declínio mais acentuado no século XIX. Aos poucos, contudo, devido a iniciativas isoladas e corajosas, retoma neste início do século XXI consciência de seu antigo valor cultural, econômico e social. Assim, é de se esperar que – a partir da ampliação dessa consciência – venha a resgatar no futuro parte de sua antiga importância histórica, econômica e sócio-cultural. A Dubolsinho se orgulha em ser parte desse esforço.

Espero ter ajudado :)
1 4 1