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2014-07-02T18:58:47-03:00
A jovem Inês Pereira, desejosa de escapar dos trabalhos domésticos que é obrigada a fazer na casa de sua mãe, resolve conseguir um marido. Uma primeira tentativa é feita por intermédio da alcoviteira Lianor Vaz, que lhe indica para marido Pero Marques, aldeão simples, mas rico. Inês recusa o pretendente, considerando-o excessivamente simplório. Contata então Vidal e Latão, dois irmãos judeus que lhe conseguem o marido dos seus sonhos: Brás da Mata, escudeiro galanteador. 

Ignorando os conselhos da mãe, que lhe pede para ter cautela na escolha do companheiro, Inês se casa com Brás da Mata acreditando que teria a liberdade que desejava. No entanto, logo após o casamento, Brás da Mata se mostra alheio a festas e celebrações, impedindo a esposa de cantar e dançar. Quando é chamado a guerrear, determina que a esposa fique trancada em casa sob os cuidados de um pajem. 

Alvejado durante uma fuga, o escudeiro morre em combate. Inês celebra a liberdade que lhe é conferida pela viuvez. Lianor Vaz reaparece e volta a lhe sugerir o casamento com Pero Marques. Inês, já prevenida pela experiência malsucedida de desposar um homem galanteador, dessa vez aceita a sugestão. 

O segundo marido se mostra bastante diferente do primeiro, concedendo a Inês toda a liberdade que ela deseja. Assim, a moça consegue sair e passear o quanto quer. Em um desses passeios, encontra-se com um ermitão, que revela ser um antigo apaixonado por ela. Inês se compromete a visitá-lo em sua morada.  

Inês consegue que Pero Marques a conduza até o local sob a justificativa do Ermitão ser um homem santo. O marido chega a carregá-la nos braços enquanto atravessam um rio. Durante a travessia, cantam uma música carregada de ironia, na qual Inês chama o marido de “servo” (o que estabelece uma identidade sonora com “cervo”, isto é, chifrudo) e de “cuco” (gíria da época para “enganado”). Seguindo o refrão da canção, Pero Marques se limita a repetir: “Pois assim se fazem as cousas”.