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2014-07-15T18:02:38-03:00
Por que não tem muita natalidade na Finlândia, portando tendo um numero maior de idosos. 
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2014-07-15T18:03:20-03:00
São Paulo - Ao longo de quase cinco décadas, a administradora de empresas Tuulikki Ruuska-Kinnunen, de 69 anos, passou incólume pelos altos e baixos do mercado de trabalho finlandês. Conseguiu o primeiro emprego nos anos 60, quando a taxa de desocupação no país era de 2%. Manteve-se atuante mesmo nos anos 90, na maior crise da história do país, que fez a taxa de desemprego disparar para 16%.Com esse histórico, poderia ter parado de trabalhar aos 62 anos, idade mínima para a aposentadoria na Finlândia. Mas Tuulikki decidiu postergar a carreira até os 68 anos. O motivo? “Queria aumentar o valor da aposentadoria.” Por ter ficado empregada mais tempo, Tuulikki conquistou o direito, para o resto da vida, de receber 4 000 euros a mais por ano — quase 13 000 reais pelo câmbio atual.Histórias como a de Tuulikki têm se repetido cada vez mais na Finlândia. Em 2001, apenas 5% das pessoas acima de 65 anos estavam empregadas. Em 2011, a fatia passou para 12%, o maior avanço registrado na zona do euro. “A Finlândia apresenta uma das taxas de envelhecimento mais rápidas do mundo e, por isso, temos feito um grande esforço para prolongar o período de trabalho da população”, diz Paula Risikko, ministra de Relações Sociais e Saúde da Finlândia. O país tem sido pioneiro na adoção de políticas inovadoras. Já na década de 90, montou um fundo para financiar o treinamento de trabalhadores da terceira idade e começou a veicular campanhas de divulgação para convencer as empresas a contratá-los. Em 2005, criou regras que passaram a incentivar trabalhadores como Tuulikki a ficar empregados mais tempo.Quem decide se aposentar aos 62 anos ganha 70% da média de seus salários ao longo da vida. Os que esticam o vínculo empregatício por mais seis anos saem da ativa com uma aposentadoria equivalente a 90%. Os resultados dessa mudança nas regras não demoraram a aparecer.Antes da reforma, a expectativa era que os gastos com previdência equivaleriam a 42% da massa salarial em 2030. Hoje, o governo estima o percentual em 33%. “A Finlândia tem como meta a solidez do sistema de previdência e deveria servir de exemplo”, diz Keith Ambachtsheer, diretor do Centro Internacional de Pesquisas de Gestão de Previdência da Universidade de Toronto, no Canadá, um dos centros de excelência nessa área.O governo brasileiro é um dos que deveriam se inspirar no caso finlandês. Os brasileiros acima de 65 anos eram 5% da população no ano 2000, mas serão 18% em 2050. “Poderíamos começar instituindo uma idade mínima para quem para de trabalhar”, diz Marcelo Caetano, especialista em previdência social e pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada.Pelas regras atuais, os homens podem se aposentar após 35 anos de tempo de contribuição, e as mulheres, após 30 anos. Em 1999, o governo federal criou o fator previdenciário, segundo o qual quanto mais anos de contribuição e mais avançada a idade, maior o valor da aposentadoria.O problema é que os incentivos não são considerados vantajosos pela maioria dos trabalhadores. Como é possível ganhar o equivalente a 70% da média dos salários a partir dos 54 anos, a idade média dos homens que se aposentam é muito baixa — 55 anos. “As pessoas recebem a aposentadoria e continuam a trabalhar”, afirma o economista Fabio Giambiagi.Enquanto aqui as centrais sindicais querem derrubar o fator previdenciário, na rica Finlândia o governo estuda uma nova reforma. “Temos de agir agora para evitar problemas lá adiante”, diz a ministra Paula.