Respostas

2014-07-18T15:14:51-03:00
O verde 
Inácio de Loyola Brandão 

Estranha é a cabeça das pessoas. 
Uma vez, em São Paulo, morei numa rua que era dominada por uma árvore incrível. Na época da floração, ela enchia a calçada de cores. Para usar um lugar-comum, ficava sobre o passeio um verdadeiro tapete de flores; esquecíamos o cinza que nos envolvia e vinha do asfalto, do concreto, do cimento, os elementos característicos desta cidade. Percebi certo dia que a árvore começava a morrer. Secava lentamente, até que amanheceu inerte, sem folha. É um ciclo, ela renascerá, comentávamos no bar ou na padaria. Não voltou. Pedi ao Instituto Botânico que analisasse a árvore, e o técnico concluiu: fora envenenada. Surpresos, nós, os moradores da rua, que tínhamos na árvore um verdadeiro símbolo, começamos a nos lembrar de uma vizinha de meia-idade que todas as manhãs estava ao pé da árvore com um regador. Cheios de suspeitas, fomos até ela, indagamos, e ela respondeu com calma, os olhos brilhando, agressivos e irritados: 
— Matei mesmo essa maldita árvore. 
— Por quê? 
— Porque na época da flor ela sujava minha calçada, eu vivia varrendo essas flores desgraçadas.
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2014-07-18T15:23:30-03:00
                                           Onde Moro

  O lugar onde vivo chama-se Euclides da Cunha e fica localizado no interior da Bahia. É uma cidade pequena, mas está passando por grandes transformações. Em todos os lugares vemos canteiros de obras o que faz com que os moradores sintam-se mais felizes.
  Nos terrenos que antes eram abandonados, foram construídas lindas praças, onde jovens e adultos utilizam para se encontrarem, fazerem caminhadas, praticarem esportes. Nos parquinhos infantis as crianças brincam à vontade.
  Tem várias escolas públicas e particulares como também faculdades. O comércio é bastante diversificado. A feira livre, que acontece aos sábados, é dividida em duas partes: no Centro de Abastecimento os feirantes vendem alimentação; nas ruas próximas são vendidas outras mercadorias como: calçados, bijuterias, materiais confeccionados com couro, barro e roupas para todos os gostos e idade. É ali onde as mulheres disputam espaço para fazerem compras. Elas até apelidaram as barracas das roupas de “shopingchão” porque é tudo barato. Eu acho engraçado porque elas se divertem com isso. Parece um formigueiro.

  Aqui também são comemorados os festejos juninos. Mas é no período de São João que o povo fica mais animado. Vem gente de outras cidades e estados para participarem dessa tradição. As atrações se concentram no forródromo. Lá são armados o palco, onde os artistas se apresentam, barracas com bebidas e comidas típicas. A cidade fica toda enfeitada. As luzes se misturam com os fogos de artifício deixando tudo colorido e bem mais bonito.

  Mas nem tudo é festa porque esse é um lugar castigado pela seca. Quando chove os agricultores plantam feijão e milho, porém não é todo ano que se colhe o que é plantado. Isso acontece porque às vezes chove demais ou falta chuva prejudicando as plantações e causando prejuízos. Até os animais sofrem com a seca e muitos não resistem e morrem. É comum serem alimentados com ração extraída da caatinga como, por exemplo, cacto, mandacaru, sisal palma e semente de algaroba. É possível ver ainda pequenos rebanhos espalhados ao longo das estradas “roendo” alguma plantação como uma tentativa de sobrevivência.

  No subsolo encontra-se o calcário que era extraído por uma grande indústria. Após o seu fechamento, foram instaladas outras duas empresas que exploram essa atividade, como também transformam rochas em britas. Mesmo assim há um equilíbrio entre o homem e a natureza. Esse fenômeno da seca não acontece por causa da não preservação do meio ambiente. Ele se dá devido à localização em que se encontra o município. Mesmo não havendo jazidas de pedras preciosas, o lugar onde vivo é, para mim, uma joia.

                                                                                     Euclides da Cunha
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