Respostas

2013-08-06T23:44:42-03:00
A resposta curta é “não”. Uma resposta comprida vem a seguir. O que aconteceu no Egito entre 30 de junho e 3 de julho não foi um golpe contra um governo eleito. Foi outra tentativa por parte dos generais para cooptar a Revolução de 25 de janeiro do Egito. A complexidade da situação e sua natureza global e ideologicamente carregada faz com que seja difícil ter uma perspectiva abrangente, e esta é a minha visão sobre porquê a revolução está longe de acabar. No espaço de poucos dias, Mohamed Morsi deixou de ser um governante que implementou leis e alienou a oposição de maneira a monopolizar o poder, e passou a ser um governante sem nenhum poder porque o povo foi às ruas. Dizer que a Irmandade Muçulmana cometeu erros no último ano é pôr panos quentes. Eles não apenas replicaram o regime de Hosni Mubarak que nós expulsamos do poder. Eles levaram as coisas mais adiante. Eles permitiram que a polícia mantivesse o uso da violência contra cidadãos comuns e revolucionários, prendendo-nos, mutilando-nos, torturando-nos e matando-nos. Em resposta aos protestos contra a monopolização de poder da Irmandade, tanto seus membros quanto as forças de segurança para as quais eles fizeram vistas grossas  reagiram com incrível brutalidade. Tudo isto aconteceu sem nenhuma responsabilização legal dos membros da polícia ou do exército. O promotor geral da Irmandade se recusou a reabrir o caso contra a polícia que matou ou foi cúmplice na matança de protestantes durante a revolução apesar de ter prometido fazer isso em nome da revolução. A brutalidade policial nem uma vez diminuiu sob o governo da Irmandade. Ao invés disso, a polícia manteve sua impunidade para infligir destruição em uma sociedade ainda em momentum revolucionário.
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