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2014-08-07T15:35:56-03:00
A Cidade Medieval. 
Autores: Fábio Costa Pedro e Olga M. A. Fonseca Coulon. História: Pré-História, Antiguidade e Feudalismo, 1989 


As invasões germânicas e a progressiva ruralização do Império Romano a partir dos séculos IV e V transformaram o comércio europeu numa atividade econômica secundária em relação à agricultura. A insegurança e a tendência à auto-suficiência dos domínios senhoriais diminuíram o ritmo e a quantidade das trocas. As antigas cidades romanas que sobreviveram às invasões perderam sua função mercantil e manufatureira e permaneceram apenas com função religiosa de sede de bispado, ou política, abrigando a corte de reis e condes. 
Nessa época de inicio da Idade Media, o comércio era realizado por mercadores "sirios", designação que incluía todos aqueles provenientes da parte oriental do antigo Império Romano que ia da Grécia ao Egito, incluindo os judeus. Esses mercadores comercializavam produtos exóticos de luxo, como especiarias, perfumes, tecidos finos, couros trabalhados, papiros azeite, tâmaras e figos. 
No período carolíngio, surgiram mercadores europeus e cristãos que se dedicavam ao comercio de gêneros agrícolas e Produtos artesanais como cereais e objetos de madeira e de ferro. Existiam também os mercadores, servidores especializados dos reis, condes, bispos e abades que percorriam os domínios comprando e vendendo a produção excedente e negociando os artigos orientais. 
O comercio regional na Europa Medieval deu origem aos "portus” localizados ao longo das vias fluviais, utilizadas por serem mais rápidas e seguras que as péssimas e mal-conservadas estradas, e às "feiras", encontros periódicos de produtores e mercadores realizados numa data fixa a cada ano. "A feira junto à abadia de Saint Denis realizava-se em outubro, após a vindima'' (Duby). A atividade comercial era vista com desconfiança, apesar de ser reconhecida como importante e necessária para os reis, os nobres e o povo em geral. 
A Igreja via o mercador como "um escravo do vicio... um amante do dinheiro", e portanto, um pecador. Na sociedade feudal, A riqueza não era para ser aumentada e somente era reconhecida como fruto da herança. 0 trabalho deveria ser suficiente para manter a condição em que cada um nascera. Assim, o lucro si não era condenável quando fosse "uma retribuição justa pelo trabalho que tinha dado". O comércio estava submetido ao controle dos soberanos. A legislação carolíngia proibia, por exemplo, todo comercio noturno, com exceção da venda de alimentos. Condes e bispos deveriam estar presentes quando das trocas de escravos, cavalos, artigos de ouro e prata, a fim de evitar a comercialização de artigos roubados. Os mercadores pagavam impostos em troca da proteção dos reis, que os consideravam seus vassalos. 
O comércio medieval persistiu mesmo durante as invasões dos séculos IX e X, quando a pirataria árabe aumentou os riscos das trocas entre Ocidente e Oriente. Desenvolveu-se largamente a partir do século XI, em função do crescimento demográfico e agrícola da Europa Ocidental contribuindo Para a recuperação econômica das cidades e para o aumento do numero de mercadores, dando origem a uma classe social nova, a burguesia. As cidades italianas se especializaram na comercialização de produtos orientais de luxo que iam buscar em Bizâncio e Alexandria, para revender na Europa. 0 comercio com os árabes trouxe a prosperidade de Nápoles Bari, Salerno, Amalfi, Gaeta e principalmente Gênova e Veneza que se tornaram importantes centros comerciais, manufatureiros e bancários da Europa Medieval. AS CIDADES E A BURGUESIA 
Até o século XI, as cidades medievais estavam reduzidas às funções religiosas ou administrativas, abrigando apenas a residência de um bispo ou de um rei. A intensificação da vida agrícola e comercial no Ocidente estimulou o seu crescimento e trouxe o aparecimento de novos centros urbanos, localizados ao longo das principais rotas comerciais da Itália, da Alemanha, dos Países-Baixos e da França. Burgos e Comunas 
Nos períodos do ano em que as estradas se tornavam intransitáveis devido à chuva ou à neve, os mercadores procuravam parar no cruzamento de grandes rotas em portos fluviais ou marítimos, ou junto a uma antiga cidade ou castelo fortificado. Essa permanência logo fazia surgir um bairro mercantil ou manufatureiro – o burgo - ao lado do castelo feudal ou da catedral. A principio, o burgo era apenas "um emaranhado de vielas, cloacas e pocilgas", espremido entre muralhas e portões que se fechavam à noite. 
Nele concentravam-se mercadores e artesãos dos diversos ofícios, o que incentivava as trocas com as aldeias dos camponeses visto que os centros urbanos necessitavam de matérias primas e de alimentos. Os burgos, nascidos próximos aos domínios castelos ou catedrais, não tardaram em procurar se libertar do jugo dos senhores feudais, obtendo sua autonomia através da compra da Carta de Franquia, mediante uma indenização paga ao conde ou barão, ou pe