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2014-08-07T18:07:23-03:00
Extremamente desconfortável, insalubre e perigosa. Em média, a cada três navios que partiam de Portugal nos séculos 16 e 17, um afundava. Cerca de 40% da tripulação morria nas viagens, vítimas não só de naufrágios, mas também de ataques piratas, doenças e choques com nativos dos locais visitados. Quem sobrevivia ainda tinha que aguentar o insuportável mau cheiro a bordo e as acomodações precárias. "Nas cobertas inferiores (onde as pessoas dormiam), o ar e a luz eram escassos, sendo fornecidos apenas por fendas entre as madeiras, que deixavam passar também a água do mar, tornando os porões abafados, quentes e úmidos", diz o historiador Fábio Pestana Ramos, da Universidade Bandeirante de São Paulo (Uniban).
2014-08-07T22:26:58-03:00

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Prezado,

Havia dificuldades de vários tipos, como a falta de locais seguros para reabastecer quanto à água e à comida, bem como as enormes distâncias dessas viagens, a falta de conhecimentos comprovados sobre os desafios do caminho (no início), a ocorrência de tempestades e zonas de calmaria (elas dificultavam a navegação utilizada nessa época, que era à vela), diminuindo muito a velocidade das embarcações; a ausência de mapas seguros e sinalizações também dificultavam a identificações de rochedos e outros perigos para os navios.

Nesse sentido, por exemplo, as condições sanitárias nos navios das grandes navegações eram, verdadeiramente, horríveis. A água era armazenada em tanques, que, em pouco tempo, ficavam cheios de urina de ratos, insetos - como baratas-, dentre outras coisas. Enfim, como você deve imaginar, quem bebia dessas águas passavam por crises de disenteria e outros graves problemas estomacais.

A solução era utilizar bebidas alcoólicas para se hidratar, como o vinho e o rum (por isso os piratas viviam meio bêbados de rum - era melhor estar alcoolizado que doente).

A comida não era menos ruim. Normalmente, o que se comia era biscoitos de trigo e centeio, geralmente mofados devido à má conservação, e com cheiro de xixi de ratos, meio comido pelas baratas e gorgulhos (carunchos). Havia também carne salgada. Os capitães e comandantes embarcavam alguns animais, como galinhas, cabras, e porcos. Normalmente, eles eram consumidos logo no início da viagem.

Devido também à falta de vitaminas (frutas e legumes quase não eram consumidos durante as viagens), havia muitas doenças, como o mal-das-gengivas, que resultavam no apodrecimento das gengivas.

Assim, a alimentação nessas viagens eram extremamente ruins para os padrões hoje. Entretanto, devido à falta de geladeiras e técnicas adequadas de conservação, os europeus consumiam alimentos estragados com frequência, mesmo quando estavam em terra.

Obviamente, quando encontravam terras, eles buscavam reabastecer, de modo a continuar com a longa viagem.

Um dos relatos mais dramáticos dessa situação está no livro "História Verdadeira e Descrição de uma Terra de Selvagens, Nus e Cruéis Comedores de Seres Humanos, Situada no Novo Mundo da América, Desconhecida antes e depois de Jesus Cristo nas Terras de Hessen até os Dois Últimos Anos, Visto que Hans Staden, de Homberg, em Hessen, a Conheceu por Experiência Própria e agora a Traz a Público com essa Impressão", publicado em 1557.

Nessa obra, o Hans Staden relata haver passado dois meses comendo apenas farinha de mandioca até chegar na Europa.

Em alguns casos, a situação piorava quando encontravam zonas marítimas de pouco vento, de modo que o navio, praticamente, ficava imóvel. Nesses períodos, as provisões poderiam acabar, dando margem à situações de caçar os ratos do navio, bem como até mesmo de canibalismo.

Alguns navios espanhóis conseguiram melhorar a volta ao embarcar tartarugas gigantes de Galápagos, que aguentavam vivas por várias semanas sem comer ou beber, possibilitando carne fresca para a tripulação. Tal prática quase levou à extinção das espécies de tartarugas no local .

Resumindo: a viagem era cheia de perigos, até mesmo quanto à alimentação e à água a serem consumidos durante a travessia do Oceano Atlântico.

Bons estudos!
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