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2013-08-13T15:04:18-03:00
Nunca a expressão dragão chinês soou tão verdadeira. A curva de ascendência da China no cenário econômico mundial produziu mais um feito no ano passado: o país se tornou a segunda maior economia do mundo, empurrando para o terceiro lugar o vizinho Japão, que ocupava o posto desde 1968. A mudança se traduz nos dados do desempenho econômico dos dois países. Autoridades japonesas informaram nesta semana que a nação nipônica cresceu 3,9% em 2010, fechando o ano com um PIB de US$ 5,474 trilhões. Já a China, no mesmo período, viu suas riquezas aumentarem 10,3%, resultando em um PIB de US$ 5,878 trilhões. Agora, na frente dos chineses, só os Estados Unidos. 
Há pelo menos 20 anos que analistas econômicos vasculham os números chineses atrás de explicações para a assombrosa elevação do país ao grupo dos mais ricos do mundo. Uma das mais óbvias é a imensa população de 1,3 bilhão pessoas. É gente que precisa de casa, de estradas, de alimentos, de roupas, de estudo, enfim, uma gama de infraestrutura e de serviços que permeia a estrutura de desenvolvimento de qualquer país. 
No caso da China, a necessidade é maior ainda: por décadas a volumosa população viveu na pobreza, sem acesso a bens e serviços, situação que tem mudado radicalmente. Metrópoles como Xangai e Pequim exibem metrôs vistosos, comparáveis aos de cidades como Paris e Londres. Rodovias, hospitais e prédios públicos são construídos aceleradamente para dar conta das necessidades locais. No varejo, grandes redes ocidentais e butiques de luxo têm explorado o mercado chinês.
Mas há que se considerar o exagero na velocidade das mudanças. A utilização em larga escala de combustíveis fósseis - carvão mineral e petróleo, especialmente - tem ocasionado um aumento no nível de poluição do ar. Os rios também têm sido vítimas deste crescimento econômico, apresentando altos índices de poluição. Boa parte dos trabalhadores, como os operários que erguem gigantescos edifícios, recebe salários baixíssimos. Nos direitos humanos, a rigidez do regime comunista atrai antipatia e clamor de grupos do mundo inteiro. 
No xadrez das relações internacionais, o protagonismo da China também é evidente em diversos setores, especialmente o cambial. Desde junho de 2010, quando as autoridades da China decidiram afrouxar o câmbio, a moeda local, o yuan, registrou uma valorização de 3,6% em relação ao dólar. Entretanto, analistas norte-americanos alertam que, devido à inflação, a apreciação real da divisa chinesa sobre o dólar foi superior a 10%.Ontem, mais uma novidade foi anunciada: o país vai lançar operações domésticas com opções de yuan contra outras moedas a partir de 1 de abril, um movimento que sinaliza a intenção de Pequim de tolerar um câmbio mais flexível e volátil e de internacionalizar o yuan.
Afinal, é melhor crescer 10% ao ano ou 3%? Visto assim, sem incluir uma análise mais cuidadosa, 10%. Maior renda, mais recursos, um novo panorama econômico surge. Mas há o outro lado da moeda, como a inflação. É tarefa árdua a equação de elevar a riqueza sem aumento inflacionário. Com crescimento bem menor que o da China, o Brasil, conhece bem este lado da moeda. 
Apesar dos percalços, o mundo segue olhando para a China. De uma economia rural há 30 anos para um dos países mais ricos do mundo em 2011, os chineses sabem que terão muito trabalho pela frente para manter as conquistas.